terça-feira, 27 de dezembro de 2022

15 - ESPERA EU ME ACALMAR

 A mãe da Lelê e da Lulu tem um senso de humor incrível, escreve bem pra danar e tem a vantagem de já mandar o texto mastigado, faltando apenas formatá-lo. Olhaí:

 
 
Aqui em casa está rolando um papo sério sobre namoro e casamento. E estou até agora tentando saber a opinião da Lulu sobre o tema.
 
Cena 1:
- Papai, você é esposo da mamãe. E a mamãe é minha esposa.
- Não, Lulu. A mamãe não é sua esposa não.
- Ela é nossa, né?
 
Cena 2:
- Mamãe, a Minnie namora com o Mickey porque eles são ratinhos.
- Mas quem te disse que eles namoram, Lu? Será que eles não são só amigos?
- Mamãe, eles namoram, uai.
- E o que é namorar, Lulu?
- Não sei (sorriso)
 
Cena 2 um pouco depois:
- Mamãe, eu quero ser casada com você.
- Uai, Lulu...
 
Ela, notando que eu não ia concordar:
 
- Mas é só quando eu crescer, tá?
- Lulu, eu sou sua mamãe. Mãe e filha não se casam e já sou casada com o papai.
- Ah, então... você é casada com o papai e eu sou casada com a Lelê.
 
Dia desses dias no carro, voltando da escola:
 
- Mamãezinhaaaa, mamãezinha!
- O que foi, Luluzinha?
- Você é minha mamãezinha!
- Sou mesmo! E adoro ser sua mamãezinha. O Papai do Céu trouxe vocês para vida da mamãe para enchê-la de amor, alegria, emoções, transformações, desafios...
- Carinho... (Lulu completou)
- Isso mesmo, Lu, carinho também!
- Mamãe, mas Papai do Céu não vai querer devolver a gente não, né?
- Claro que não. Agora vocês são minhas filhinhas.
 
 
Agora, essas duas para mim são o máximo da inteligência emocional. A Lulu tem um temperamento explosivo, então tem uns rompantes de raiva. Um dia estava em crise de choro, não lembro mais por que, mas em determinado momento, falou:
 
- Mamãe, me ajuda a me acalmar.
 
E em outro dia, ela estava chorando (também não lembro o motivo) e eu falei:
 
- Lu, agora mamãe tem que pentear seu cabelo para você ir para a escola. 
- Mamãe, espera eu me acalmar primeiro.
 
Ela percebeu que eu choro (muitas vezes) quando leio o livro “A Árvore Generosa”. Daí, quando vou ler, ela olha mais para a minha cara do que para o livro.
 

Frases tchutchucas:

- Mamãe, eu vou cuidar de você para toda vida! (Lulu)
-
 Papai, põe as luzes na janela, pro Papai Noel achar nossa casa. (Bia e Cacá)

sábado, 3 de dezembro de 2022

14 - VOCÊ É DEUS?

 A Bia arranjou umas pedrinhas brilhantes de ônix e resolveu lavá-las enquanto tomava banho. Na hora de enxugar, com a mãe preparando para vestir-lhe o pijaminha, ela vira para o pai e diz:

 
- Olha, papai, eu dei banho nas minhas pedrinhas. Agora elas vão dormir. Estão com sono. "Aaahhhh" (simulando um bocejo)
- Elas vão dormir? Não vão comer?
- Não, papai, elas não tem boca...
 
***
A Bia e a Cacá gostam de subir no encosto do sofá da sala de seu apartamento, de onde pulam para o assento, brincadeira que repetem sempre e enfartaria o avô neurótico, pela possibilidade de caírem no chão e se machucar devido a um pulo mais entusiasmado e mal dado. Ontem, mais uma vez brincando desse jeito, a Bia depois de assentada no encosto, exclamou:
 
- Nossa, como eu estou alta! Eu posso ver tudo daqui de cima!
 
A reação da Cacá foi hilária:
 
- Então você é Deus?
 
***
Outra da Cacá: hoje ela e a Bia ficaram aqui na nossa casa quase o dia todo. A primeira coisa que me disse ao chegar foi:
 
-Você precisa parar de comer doce, está muito barrigudo.
 
Sofrer bullying de netinha de quatro anos é muito triste!

segunda-feira, 28 de novembro de 2022

13 - TORCIDA ORGANIZADA

 Como muitos pais e tios sabem, as crianças muito pequenas são como que esponjas, pois absorvem muito do que os adultos falam. Se tiverem a sorte de ter pais civilizados e com um mínimo de cultura não demoram muito a encantar os parentes, ao fazer comentários surpreendentes, hilariantes e usar palavras inimagináveis para sua idade.

 
À medida que vão crescendo, perdem um pouco da espontaneidade e deixam de surpreender os adultos. Mas, até que essa fase chegue dizem e fazem coisas que ameaçam o bom funcionamento do coração dos avós. E esse é o motivo de me dedicar a registrar as micro-historinhas protagonizadas por minhas netas, contadas por seus pais: para que um dia elas possam ler as tchutchuquices que foram capazes de fazer ou dizer quando eram bem pequenas.
 
Com a Copa do Mundo do Qatar mobilizando toda a população brasileira (toda, não; os “patriotários” recusam-se a sair de sua própria “concentração”), a mãe da Bia e da Cacá comprou umas roupinhas de uniforme da seleção para as meninas, para que possam ir assim vestidas para a escolinha em dia de jogo do Brasil
 
As menininhas estavam deitadas na cama quando a mãe as vestiu com a blusa da seleção. Quando a Cacá levantou e se olhou no espelho, fez até uma pose com mão na cintura e disse:
 
- Nossa! Como eu tô bonitinha!
 
Por precaução, ao ouvir essas historinhas o avô já fica com um comprimido de Aradois por perto, bem à mão. Vai que precisa...

quarta-feira, 9 de novembro de 2022

12 - CUIDADORA DE CRIANÇAS

 Mais um registro de memória para ser lido no futuro.


DO TEMPO DA DELICADEZA
No recente Dias das Crianças minha mulher preparou um "presente de greguinho" para nossas netas: transformou dois cavaletes de madeira em quadro negro de um lado e apoio para telas de pintura e papeis do outro, comprou tintas guache, papéis em formato A3, giz, apagador (quase do tamanho das menininhas), telas e pinceis e... cola.

Ontem, a mãe da Lelê e da Lulu (três anos) contou a mais nova tchutchuquice das filhas: tentando colar no papel algumas figurinhas recortadas pela mãe, a Lulu fez uma poça de cola na folha. A mãe disse que assim não daria certo, pois não colaria direito. E arrancou a folha, sob protestos e choramingo da Lulu – que logo depois fez outra poça de cola na toalha da mesa. A mãe, carinhosa mas severamente disse que isso não estava certo e que não deixaria mais a Lulu usar a cola. Foi quando a Lelê saiu em defesa da irmã: 
- Mamãe, a Lulu não sabe colocar pouca cola!
 
A mãe disse então que faria pingos de cola no papel para a Lulu colar as gravuras. A reação da Lulu foi deliciosamente comovente e engraçada: 
- Mamãe, eu não sei colocar pouca cola, mas não fique brava comigo, pois eu sou muito delicada.
 
 
PÃO QUENTINHO 
A correria que o trabalho diário impõe aos pais da Bia e da Cacá (quatro anos) impede que os pães do café matinal sejam comprados pela manhã. Cena do dia: Bia comendo um pão de sal de ontem no café da manhã. Aí vira e fala: 
- Papai, o pão está frio. Esquenta pra mim?
 
O pai pega o pão de sua mão para esquentá-lo na sanduicheira elétrica. A Bia, bem no estilo “Chaves” e sem falar nada, continua comendo um pão imaginário...
 
 
CUIDADORA DE CRIANÇAS
A mãe da Bia e da Cacá trabalhou de mesária nas recentes eleições. Por isso, já perto do encerramento das votações, o pai perguntou para as filhas: 
- Pessoal, vamos buscar a mamãe?
 
A Bia responde: 
- Não. Você busca.
- Não tem como eu buscar a mamãe e vocês ficarem sozinhas!
- Eu tomo conta da Cacá!
 
 
AULA DE ANATOMIA
Em uma conversa de almoço sobre ossos de galinha, o pai da Bia e da Cacá comenta:
- Se a gente não tivesse ossos, a gente seria molenga.
 
Com olhar de surpresa a Cacá pergunta:
- Então a vovó não tem ossos?


POESIA MATINAL
Uma coisa que me encanta nas crianças muito novas é sua capacidade de fazer comentários inesperados, divertidos ou poéticos. Pela manhã, bem cedo, talvez lembrando alguma história infantil ouvida recentemente, a Bia e a Cacá fingiam escrever alguma coisa na cama dos pais:
 
(Bia) O gato não sabe voltar. 
(Cacá) A lua não sabe que é história...
 
Vontade de abraçar e apertar muito essas quatro netinhas tão doces!
 

domingo, 9 de outubro de 2022

11 - PURA POESIA


As crianças ainda muito novas dizem coisas engraçadas, surpreendentes e encantadoras. Mais um pouco de tempo e elas perdem a espontaneidade e passam a utilizar o vocabulário que aprendem com os adultos. Enquanto isso não acontece, quem tem “ouvidos de ouvir” pode descobrir poesia em estado puro em uma frase ou comentário. A Cacá tem quatro anos e está em uma fase de muito carinho com os pais:
 
- Papai, fiz um cartão para você.
- Que legal, Cacá!
- A gente é super-heróis. Você tem o poder do arco-íris e eu de iluminar o sol.
 
Olhando os riscos amarelos onde seriam os pés da Cacá, o pai pergunta:
 
- Você estava voando, Cacá?
- A gente tava, mas aí pousou na "gama" (grama)
- Ah!
- Colori o cabelo de marrom porque não tinha canetinha preta. A gente tava de máscara verde!

 
“Poder de iluminar o sol”! Pura poesia!


quinta-feira, 6 de outubro de 2022

10 - SONHANDO COM TI REX

As menininhas dormem em quarto separado dos pais. Às vezes, de madrugada, uma delas acorda e chama:

 
- PAPAI!
 
O pai se levanta e vai ver o que é, encontrando a Cacá de olhos arregalados; e rola um diálogo sussurrado.
 
- Que foi, Cacá?
- Eu tive um sonho divertido com dinossauros.
- Ah, é? Que legal!
-Não foi legal, um dinossauro queria me comer!
- Então não foi um sonho divertido...
- Um “Ti Rex” queria me comer!
- Foi só um sonho, pode dormir.
- Quero fazer xixi.

domingo, 21 de agosto de 2022

09 - PARA ESPANTAR OS MOSQUITOS

 Final de domingo, voltando para o apartamento, o pai começou a programar a rotina para quando chegassem:

 
- Chegando em casa a primeira coisa é guardar os brinquedos; depois, tomar banho, por o pijama, tomar leite e dormir.
 
Reação da Cacá:
- Humm... eu tive uma ideia. Que tal não tomar banho? Cacá quer dormir fedidinha para espantar os mosquitos...
 
(Nessa semana a mãe das menininhas explicou para a Cacá sobre aqueles repelentes de tomada, que soltam um cheirinho ruim para os mosquitos).

quarta-feira, 20 de julho de 2022

08 - EU NÃO SOU ECA!

 Ouvir um palavrão dito em voz muito alta assusta e repugna os espíritos mais sensíveis, pois a referência a práticas sexuais não canônicas e a vulgaridade que o palavreado chulo carrega são características intoleráveis para pessoas muito tímidas e gentis.

 
Mas todos sabemos que o que hoje é palavrão já fez parte do vocabulário normalmente utilizado no passado por pessoas de bem. Talvez seja essa a explicação para o surgimento e uso frequente de expressões e vocábulos capazes de fazer corar e escandalizar os mais delicados.
 
Meus impacientes amigos e amigas virtuais já devem estar se perguntando onde pretendo chegar com isso, mas já explico.
 
Segundo a mãe das “gemini niñas” de três anos a ofensa máxima imaginada pelas filhas parece ser a palavra “eca” (com ou sem exclamação). Chamar alguém de “eca” é um insulto tão grave que poderia até desencadear uma quarta guerra mundial. Mas elas têm sabedoria e jogo de cinturinha para retrucar elegantemente e fulminar o agressor com esta resposta, dita por uma delas:
 
- “Eu não sou eca, eu sou gostosa!”
 
Esse é um claro sinal de que o empoderamento feminino pode surgir até na mais tenra e tchutchuca das idades.

quinta-feira, 7 de julho de 2022

07 - A CULPA É DO PAPAI!

 Um dia os menininhos e menininhas crescem e de tantos “não” que escutam e com tantas regras e normas de boa educação que precisam aprender, acabam perdendo a espontaneidade e a graça dos primeiros anos, quando até um flato pode ser motivo de risos.

 
Pensando bem, criancinhas pequenas nunca soltam flatos, soltam puns. Creio que flato só mesmo a rainha da Inglaterra é que solta. O resto da humanidade apenas peida (inclusive o príncipe Charles). E esta é mais uma historinha das gemininiñas, tão leve como o ar, como gás, como gases. Eu disse “gases”? Pois é...
 
 
A Cacá agora cismou de colocar a culpa no pai por coisas “erradas” que ela faz, como soltar "pum". Ela solta e se alguém pergunta "quem soltou pum?" Ela já responde na lata:
- PAPAI!
 
E aí começa um coro da Bia e da Cacá
- Papai! Papai! Papai!
 
 
Um dia o pai estava lavando vasilhas e deu um peido barulhento. A Bia perguntou quem tinha feito aquele barulho e o pai respondeu:
- Foi o papai que soltou um pum.
 
Ela achou graça e começou a bater palmas, exclamando:
- Papai! Papai!
 
 
Outro dia, o pai estava trabalhando até mais tarde e as menininhas estavam sentadas com a mãe no sofá, vendo TV. Aí a Cacá solta um barulhento. E a mãe pergunta.
- Quem soltou pum?
- Veio lá de longe, onde o Papai trabalha. Foi o Papai!

quinta-feira, 30 de junho de 2022

06 - POR QUE VOCÊ CHAMA O VOVÔ DE PAI?

 Este é o relato feito pela mãe das gemininiñas de três anos.

 
 
Elas sempre me chamaram de mamãe. Mas essa semana começaram a falar apenas “mãe”... Estranhei... Mas “mãe” só? “Mãe”, já? Cadê o “mamãe”? Nããããoooo!
 
Falar só “mãe” é coisa de criança grande, gente! Vamos parar com essa palhaçada e vamos falar direito, que cês não tem idade pra isso não!
 
Hoje, no café da manhã, não aguentei. Depois de escutar uns três “ô, mãe” seguidos em curtíssimo intervalo, perguntei para a Lulu:
- Amor, por que você está me chamando de mãe e não mais de mamãe?
 
Silêncio...
Ela olhou para baixo sem dizer nada.
Depois de alguns segundos olhou pra mim e perguntou:
- Mãe, por que você chama o vovô de pai?
 
Como assim, minha gente? Além de não me chamar mais de mamãe, ainda me dá uma resposta dessas??? Morri!

segunda-feira, 13 de junho de 2022

05 - BEBÊ DÁ MUITO TRABALHO!

 Os pais da Lelê e da Lulu tinham uma festa de formatura para ir, mas não tinham com quem deixar as menininhas. A mãe da Bia e da Cacá generosamente ofereceu-se para ficar com elas. Seria também uma oportunidade fantástica para as priminhas se entrosarem, interagir e brincar a rodo.

Quando chegaram ao prédio onde as primas mais velhas moram, a Cacá começou com as presentações:
Este é nosso prédio, este é o carro da mamãe...
A partir daí, segundo o pai das “anfitriãs”, suas filhas assumiram a postura de "cuidadoras" das primas, além de brincar com elas.
No dia, seguinte, quando o pai da Lelê e da Lulu foi buscá-las, a Bia comentou:
- Tomar conta de “bebê” dá muito trabalho, elas fazem muita bagunça!
Uma menininha de apenas quatro anos fazendo esse comentário sobre suas primas de três anos! Hilário!
 
 
A Bia dando palpites na decoração da casa:
- Mamãe, a gente tem que pintar nossa casa. As paredes são muito brancas!
- Você quer pintar de qual cor?
- De arco-íris...


Cacá e Bia, cada uma com um pente, resolvem “cortar” o cabelo do pai. Atacam daqui, atacam de lá, empurram a cabeça para trás, puxam para frente. O pai pergunta se o cabelo ficou bom. A Cacá responde:
- Não.
- Que você fez? Cortou meu cabelo? Como ficou?
- Careca.
A Bia emenda:
- Vou buscar a tinta para pintar. Não sai daí!

segunda-feira, 30 de maio de 2022

04 - EU TENHO PESADELOS!

 Hora do jantar, as menininhas falando aleatoriamente, só na zoeira. O pai comenta:

- Assim vocês vão deixar o papai maluco.

Resposta da Bia:
- Papai, você já é maluco!
 
 
Horário do café da manhã, a Bia já tinha tomado seu leite e estava brincando pela casa fingindo que era uma gata. Cacá, ainda sentada à mesa, olha para a fruteira e diz:
- Humm, banana, quero comer banana! Vou pegar uma banana grande!

Puxa a fruteira para perto de si, pega uma banana e olha:
- Banana! Humm, essa banana é  pequena...

Aí olha por sobre o encosto da cadeira e fala:
- Gataaa, oh gata! Quer uma banana?

Entrega a banana para a Bia e fala para os pais:
- Aquela banana é para a gata.
Ai vira para a fruteira e pega uma banana maior...
 
 
A Bia, geralmente acorda mais cedo que a Cacá, mas não se levanta. Fica deitada na cama cantarolando ou falando sozinha, como forma de acordar a irmã. Era domingo e o pai comentou:
- Assim você vai acordar a mamãe e a Cacá. Quer ir à padaria com o papai?

Topou na hora. Ao chegar em casa a mãe já tinha acordado. A Bia continuou a falar perto da porta do quarto das duas, com o claro objetivo de acordar a irmã. A Cacá levanta-se enfurecida, sai pisando duro até a sala e dá um esporro:
- Ô gente, vocês não estão me deixando dormir! Eu gosto de dormir de dia porque à noite eu tenho pesadelos com fantasmas!
 

quinta-feira, 19 de maio de 2022

03 - MUITO CARACA!

 Publiquei recentemente aqui no blog a transcrição de situações divertidas que os pais de duas de minhas netinhas contaram. Talvez alguns leitores possam achar esses casos piegas, desinteressantes ou falta de assunto. “E eu vos direi no entanto” que estão enganados. E o motivo é simples. Só registro o que acho divertido ou surpreendente. Além disso, uma coisa é certa: esses pequenos diálogos e frases ditas por quem ainda fala naquele tatibitate próprio das crianças muito novas são não só deliciosos para mim, como preciosos para que seus pais e elas próprias possam um dia recordar essa época.

 
Não fiz isso com nossos filhos e me arrependo muito dessa imprevidência. Por isso, repito a dica que dei no segundo dos posts Gemininiñas aos pais e mães de crianças pequenas (espero que aconteçam vários posts):
 
Registrem, anotem, escrevam tudo o que os pimpolhos disserem e que os façam ficar de queixo caído, emocionados ou rolando de rir. Tenho certeza de que não se arrependerão.
 
Hoje, pedi à minha mulher que mandasse via zap algumas dessas tchutchuquices que ela havia guardado há mais tempo. Todos os casos foram narrados por minha filha do coração e mãe de outra dupla de netinhas. Os dois primeiros aconteceram quando elas ainda eram bem novinhas e o terceiro caso é recente (hoje já são senhoras de três anos de idade). Lembro também que os apelidos não são os realmente utilizados por elas.
 
 
Lulu chega correndo na cozinha e solta:
- Caraca!
Eu, incrédula com aquele serzinho que sequer chegou aos dois anos de idade:
- Caraca???
Ela, arregalando os olhos como quem conta a maior das fofocas:
- Muito caraca!
(provavelmente deve ter dito "calaca")
 
 
 Aquele momento em que fico na dúvida entre ensinar a falar a palavra ou deixá-la daquele jeito erradinho e todo fofo por mais algum tempo...
Ela aponta o dedinho e diz:
- Igomes!
- Ah, é micro-ondas, amor! Repete para a mamãe: MI-CRO-ON-DAS (falo pausadamente).
E ela imediatamente, imitando minhas pausas e entonação:
- I-GO-MAS!
Já melhorou...
 
 
A gente apaga a luz do quarto para elas mamarem e deixa acesa a luz do corredor, pois depois da mamadeira, temos que escovar os dentes. Aí a Lelê falou:
- Papai, deixa aquela luz acesa?
- Não, Lelê, é hora de dormir. Tem que apagar a luz para descansar os olhinhos
- Papai, mas eu não gosto tudo escuro.
- Ô, Lelê, assim que é bom para dormir! Papai adora dormir no quarto bem escuro.
- Papai, então deixa o seu escuro e deixa o nosso clarinho.

segunda-feira, 25 de abril de 2022

02 - CADA UMA COM SEU JEITINHO

 

Hoje recebi de meu filho um combo de pequenos diálogos extremamente saborosos e divertidos envolvendo suas filhas gêmeas de quatro anos. Por isso, resolvi guardá-los no blog. Depois, mandarei o link para ele. Olhaí (os apelidos são fictícios, por motivos óbvios):
 
Cacá vira para a mãe e fala:
- Mamãe, tenho que te contar um segredo.
- Pode contar!
A mãe se curva para ouvir o segredo sussurrado e espera...
- Eu não ouvi nada!
- Eu não falei nada, só fiquei mexendo a boca assim.
E fica movimentando como se estivesse fazendo mímica.
 
A mãe leu para as menininhas livros sobre sentimentos; um deles era sobre ficar zangada e outro sobre medo. Ai, perguntou sobre o que as deixava com medo e elas responderam.
Na hora de perguntar o que a deixava zangada, o pai tentou tirar uma meleca do nariz da filha com um cotonete...
- Cacá, o que te deixa zangada?
- Você ficar enfiando esse negócio no meu nariz!
 
As menininhas têm assistido o desenho animado “Story Bots”. É um desenho educativo, onde crianças fazem uma pergunta e a equipe dos personagens sai para explorar e responder. As perguntas e respostas são bem complexas (falam de células T para explicar sobre gripe, conceitos de física como gravidade e massa para responder de onde vêm planetas, etc.). Segundo o pai, “parece que eles moram num computador". Ai, teve um episódio onde perguntaram como o computador funciona. Uma das menininhas fulminou:
- Engraçado, os Story Bots moram no computador e não sabem como ele funciona!
 
As menininhas são gêmeas e extremamente parecidas uma com a outra. Uma das tias-avós pergunta para a Cacá:
- A sua professora confunde você com a Bia?
- Não. Cada uma tem seu jeitinho...
 
Domingo é dia de almoçar fora, de preferência em restaurantes onde exista um playground para a meninada se divertir. Em um desses existe um bondinho, aonde as menininhas entraram. Pouco depois, apareceram mais algumas crianças. A mãe de uma menininha com idade entre um e dois anos colocou a criança em um dos bancos, fazendo barulho de trem para diverti-la (“piui choc choc”).
- Bia: Isso não é um trenzinho.
- Não é? O que é então?
- É um bondinho. Não faz choc choc.
- Não? Faz o quê?
- Din din
Aí chega o pai do bebê e faz a mesma gracinha; a mãe começa a corrigir o marido dizendo que não era esse o som, que o brinquedo era um bondinho e que o som era...
- (Bia) Din din!
 
De manhã, na hora do café, Bia ficou “palestrinha”, inventando que a Cacá tinha feito algo errado com o pai e que ele tinha feito duas coisas erradas com a Cacá...
- (Bia) Cacá, peça desculpas para o papai.
- (Cacá) Desculpa, papai.
- (Bia) Agora, papai, peça desculpas para a Cacá.
- Desculpa, Cacá.
- (Bia) Duas vezes, papai...
Os pais caíram na gargalhada e ela ficou falando que não era para rir.
 

quarta-feira, 13 de abril de 2022

01 - A VARINHA MÁGICA

  

Recebi da mãe da Lelê e da Lulu esta história, tão deliciosa que não poderia deixar de guardá-la aqui nesta blogoteca:


Naquele domingo, o pai já estava uma fera, pois já passava das nove e ainda não tinha conseguido tomar café da manhã.  Para quem já estava de pé desde antes das seis, isso é um problema sério.
 
- Chega, Lelê. Já estou estressado, dá licença, agora vou tomar meu café . 
Falou em tom ríspido para a menininha de três anos de idade..
 
Ela tinha nas mãos uma haste de papelão com um coração de eva na ponta (detalhe de uma embalagem que virou brinquedo). Daí falou:
 
- Papai olha minha varinha mágica! Fez o gestual de quem estava regendo uma orquestra, apontou a varinha para o pai e falou:
 
- Fica feliz!!!

O feitiço pegou de jeito! O pai começou a gargalhar na hora ! Juro, gente, essa varinha é das boas!

domingo, 10 de abril de 2022

APRESENTAÇÃO DO BLOG

Há muitos anos creio ter visto um livro ou artigos de revista escritos pelo pediatra Pedro Bloch, cujo título era “Criança diz cada uma…”. Não me interessei pelo título nem pelo provável assunto, pois já ouvia em minha casa os comentários mais inteligentes, encantadores e surpreendentes ditos por meus filhos.
 
Infelizmente, nunca escrevi nenhuma dessas gracinhas. Por isso, fica a dica aos pais e mães de crianças pequenas: registrem, anotem, escrevam tudo o que os pimpolhos disserem e que os façam ficar de queixo caído, emocionados ou rolando de rir. Tá dada a dica.
 
Este blog é uma espécie de biblioteca ou arquivo das lembranças das minhas netinhas que seus pais e mães me enviam. Em outras palavras, é uma “blogoteca” das gracinhas ditas pela Bia, Cacá, Lelê e Lulu.
 
Por sugestão de uma das mães, as tchutchuquinhas serão identificadas pelos apelidos reais com que são conhecidas. Os pais e mães serão identificados apenas como "pai" e "mãe" (privacidade, entendeu?).
 
Que mais? Só.
  

sábado, 5 de março de 2022

"POLALIZAÇÃO"


Segundo a mãe da Lelê e da Lulu, as filhas estão na fase de se identificar com alguém ou alguma coisa, numa mistura de brincadeira e fantasia. Quando uma delas, por exemplo, diz que é o “Chase” (personagem de desenho animado), a irmã diz que é a “Sky” (outro personagem do mesmo desenho). Às vezes identificam-se com as primas um ano mais velhas que elas, etc.
 
E o caso mais recente é este: de tanto ouvir no carro as instruções do GPS mandando “virar à direita na rua tal” ou “virar à esquerda em 100 metros”, as maluquinhas de três anos de idade começaram a dizer que são “esquerda” e “direita”, brincadeira facilitada pelo fato de ficarem presas às cadeirinhas no banco traseiro. Imagino que a pronúncia correta seja "dileita" e "esqueda". Segundo minha nora, uma delas (a que fica sentada do lado esquerdo) é mais articulada e gosta de provocar a irmã (que reage, dando porrada). Assim, ao dizer que era “esquerda” e ouvir a irmã dizer que era “direita”, reagiu: “direita eca!”.
 
Ao me contar esse caso, minha nora - que votou no Bozo e se arrependeu - assim como eu fiz, comentou rindo:

- “Vê se pode, agora as divergências ideológicas já estão acontecendo aos três anos de idade!” 

A PERDA DA INOCÊNCIA

  Nosso filho trocou de apartamento e a mudança não foi só de móveis e de endereços.   Hoje na arrumação da mudança, as meninas acharam um e...