terça-feira, 3 de janeiro de 2023

ERA UMA VEZ...

 Recentemente, para criar um espaço maior para as netinhas brincar, resolvemos cobrir com pedra São Tomé um canteiro onde só havia mato. Dentre as pedras entregues uma chamou minha atenção, pois tinha a “impressão digital” de uma folhagem de prováveis milhões de anos atrás. Fiquei encantado com a imagem preservada e resolvi criar uma historinha para entreter as menininhas. Parece que elas gostaram, pois a Lulu pediu: “Conta de novo”. 

 
Depois da terceira vez contando a mesma história (cada vez com mais detalhes “empolgantes”) e como o Blogson já está mesmo em fase terminal, resolvi guardar na blogoteca o texto da historinha imaginada. Os leitores e leitoras podem achar uma merda, piegas ou o que quiserem, mas estou pouco me lixando. Meu negócio é memória, preservação da memória desimportante, mas não menos digna, não menos saborosa. Olhaí.
 
 
Há muito, muito, muito, muito tempo não existiam ainda galinhas nem porquinhos nem cachorrinhos. Ah, e nem vaquinhas, zebrinhas ou gatinhos. Só existiam dinossaurões, dinossauros, dinossaurinhos e lagartixas do tamanho de um carro. E baratas também. As plantas eram árvores muito grandes, mais ou menos grandes e plantinhas.
 
Havia um dinossaurinho que gostava muito de comer plantinhas, mas ele era muito pequeno e tinha de viver escondido, pois tinha medo dos dinossaurões. Seu nome era Dininho (nome escolhido por votação).
 
Um dia ele estava comendo sua salada de plantinhas (nhoc nhoc nhoc) quando ouviu o barulho de um dinossaurão por perto. A terra até tremia com as pezadas que ele dava no chão ao andar (mãos batendo alternadamente na mesa). Dininho precisava se esconder rapidinho, mas aquela saladinha estava tão boa!
 
Foi aí que ele teve a ideia de cobrir suas plantinhas com uma pedra para comer depois que o dinossaurão fosse embora.
 
O dinossaurão estava com fome, doido para comer algum dinossaurinho e ficou rugindo (ROARR!!!!) enquanto olhava para ver se encontrava algum. Como não achou nenhum, foi embora.
 
O Dininho saiu da toca, olhou pra cá, olhou pra lá, ficou escutando para ver se o dinossaurão ainda estava por perto. Quando viu que não tinha mais perigo, resolveu continuar a comer sua saladinha deliciosa (tinha alface, brócolis, tomate, beterraba, só faltou um salzinho e azeite).
 
O resto da história, eu não sei, mas acho que ele não conseguiu se lembrar do lugar onde tinha escondido sua plantinha deliciosa. Levantava uma pedra aqui e nada, levantava outra e nada também (as mãos e pés das menininhas fazendo às vezes de pedras). E ele nunca mais encontrou a saladinha escondida. Mas não ficou com fome, pois como era muito esperto logo encontrou outras plantinhas deliciosas.
 
Muito, muito, muito, muito tempo se passou, os dinossaurões, os dinossauros e os dinossaurinhos sumiram, surgiram as galinhas e também os porquinhos, as vaquinhas, as zebrinhas, os cachorrinhos e os gatinhos. Mas ninguém nunca mais achou a saladinha do Dininho, que foi ficando sequinha, sequinha e esmagada pela areia, até que tudo virou pedra.
 
Um dia a vovó e o vovô compraram umas pedras para colocar no chão e olha só o que encontraram: não era mais a plantinha perdida do Dininho, mas o retrato dela! Olha como ela era bonitinha:



 


terça-feira, 27 de dezembro de 2022

15 - ESPERA EU ME ACALMAR

 A mãe da Lelê e da Lulu tem um senso de humor incrível, escreve bem pra danar e tem a vantagem de já mandar o texto mastigado, faltando apenas formatá-lo. Olhaí:

 
 
Aqui em casa está rolando um papo sério sobre namoro e casamento. E estou até agora tentando saber a opinião da Lulu sobre o tema.
 
Cena 1:
- Papai, você é esposo da mamãe. E a mamãe é minha esposa.
- Não, Lulu. A mamãe não é sua esposa não.
- Ela é nossa, né?
 
Cena 2:
- Mamãe, a Minnie namora com o Mickey porque eles são ratinhos.
- Mas quem te disse que eles namoram, Lu? Será que eles não são só amigos?
- Mamãe, eles namoram, uai.
- E o que é namorar, Lulu?
- Não sei (sorriso)
 
Cena 2 um pouco depois:
- Mamãe, eu quero ser casada com você.
- Uai, Lulu...
 
Ela, notando que eu não ia concordar:
 
- Mas é só quando eu crescer, tá?
- Lulu, eu sou sua mamãe. Mãe e filha não se casam e já sou casada com o papai.
- Ah, então... você é casada com o papai e eu sou casada com a Lelê.
 
Dia desses dias no carro, voltando da escola:
 
- Mamãezinhaaaa, mamãezinha!
- O que foi, Luluzinha?
- Você é minha mamãezinha!
- Sou mesmo! E adoro ser sua mamãezinha. O Papai do Céu trouxe vocês para vida da mamãe para enchê-la de amor, alegria, emoções, transformações, desafios...
- Carinho... (Lulu completou)
- Isso mesmo, Lu, carinho também!
- Mamãe, mas Papai do Céu não vai querer devolver a gente não, né?
- Claro que não. Agora vocês são minhas filhinhas.
 
 
Agora, essas duas para mim são o máximo da inteligência emocional. A Lulu tem um temperamento explosivo, então tem uns rompantes de raiva. Um dia estava em crise de choro, não lembro mais por que, mas em determinado momento, falou:
 
- Mamãe, me ajuda a me acalmar.
 
E em outro dia, ela estava chorando (também não lembro o motivo) e eu falei:
 
- Lu, agora mamãe tem que pentear seu cabelo para você ir para a escola. 
- Mamãe, espera eu me acalmar primeiro.
 
Ela percebeu que eu choro (muitas vezes) quando leio o livro “A Árvore Generosa”. Daí, quando vou ler, ela olha mais para a minha cara do que para o livro.
 

Frases tchutchucas:

- Mamãe, eu vou cuidar de você para toda vida! (Lulu)
-
 Papai, põe as luzes na janela, pro Papai Noel achar nossa casa. (Bia e Cacá)

sábado, 3 de dezembro de 2022

14 - VOCÊ É DEUS?

 A Bia arranjou umas pedrinhas brilhantes de ônix e resolveu lavá-las enquanto tomava banho. Na hora de enxugar, com a mãe preparando para vestir-lhe o pijaminha, ela vira para o pai e diz:

 
- Olha, papai, eu dei banho nas minhas pedrinhas. Agora elas vão dormir. Estão com sono. "Aaahhhh" (simulando um bocejo)
- Elas vão dormir? Não vão comer?
- Não, papai, elas não tem boca...
 
***
A Bia e a Cacá gostam de subir no encosto do sofá da sala de seu apartamento, de onde pulam para o assento, brincadeira que repetem sempre e enfartaria o avô neurótico, pela possibilidade de caírem no chão e se machucar devido a um pulo mais entusiasmado e mal dado. Ontem, mais uma vez brincando desse jeito, a Bia depois de assentada no encosto, exclamou:
 
- Nossa, como eu estou alta! Eu posso ver tudo daqui de cima!
 
A reação da Cacá foi hilária:
 
- Então você é Deus?
 
***
Outra da Cacá: hoje ela e a Bia ficaram aqui na nossa casa quase o dia todo. A primeira coisa que me disse ao chegar foi:
 
-Você precisa parar de comer doce, está muito barrigudo.
 
Sofrer bullying de netinha de quatro anos é muito triste!

segunda-feira, 28 de novembro de 2022

13 - TORCIDA ORGANIZADA

 Como muitos pais e tios sabem, as crianças muito pequenas são como que esponjas, pois absorvem muito do que os adultos falam. Se tiverem a sorte de ter pais civilizados e com um mínimo de cultura não demoram muito a encantar os parentes, ao fazer comentários surpreendentes, hilariantes e usar palavras inimagináveis para sua idade.

 
À medida que vão crescendo, perdem um pouco da espontaneidade e deixam de surpreender os adultos. Mas, até que essa fase chegue dizem e fazem coisas que ameaçam o bom funcionamento do coração dos avós. E esse é o motivo de me dedicar a registrar as micro-historinhas protagonizadas por minhas netas, contadas por seus pais: para que um dia elas possam ler as tchutchuquices que foram capazes de fazer ou dizer quando eram bem pequenas.
 
Com a Copa do Mundo do Qatar mobilizando toda a população brasileira (toda, não; os “patriotários” recusam-se a sair de sua própria “concentração”), a mãe da Bia e da Cacá comprou umas roupinhas de uniforme da seleção para as meninas, para que possam ir assim vestidas para a escolinha em dia de jogo do Brasil
 
As menininhas estavam deitadas na cama quando a mãe as vestiu com a blusa da seleção. Quando a Cacá levantou e se olhou no espelho, fez até uma pose com mão na cintura e disse:
 
- Nossa! Como eu tô bonitinha!
 
Por precaução, ao ouvir essas historinhas o avô já fica com um comprimido de Aradois por perto, bem à mão. Vai que precisa...

quarta-feira, 9 de novembro de 2022

12 - CUIDADORA DE CRIANÇAS

 Mais um registro de memória para ser lido no futuro.


DO TEMPO DA DELICADEZA
No recente Dias das Crianças minha mulher preparou um "presente de greguinho" para nossas netas: transformou dois cavaletes de madeira em quadro negro de um lado e apoio para telas de pintura e papeis do outro, comprou tintas guache, papéis em formato A3, giz, apagador (quase do tamanho das menininhas), telas e pinceis e... cola.

Ontem, a mãe da Lelê e da Lulu (três anos) contou a mais nova tchutchuquice das filhas: tentando colar no papel algumas figurinhas recortadas pela mãe, a Lulu fez uma poça de cola na folha. A mãe disse que assim não daria certo, pois não colaria direito. E arrancou a folha, sob protestos e choramingo da Lulu – que logo depois fez outra poça de cola na toalha da mesa. A mãe, carinhosa mas severamente disse que isso não estava certo e que não deixaria mais a Lulu usar a cola. Foi quando a Lelê saiu em defesa da irmã: 
- Mamãe, a Lulu não sabe colocar pouca cola!
 
A mãe disse então que faria pingos de cola no papel para a Lulu colar as gravuras. A reação da Lulu foi deliciosamente comovente e engraçada: 
- Mamãe, eu não sei colocar pouca cola, mas não fique brava comigo, pois eu sou muito delicada.
 
 
PÃO QUENTINHO 
A correria que o trabalho diário impõe aos pais da Bia e da Cacá (quatro anos) impede que os pães do café matinal sejam comprados pela manhã. Cena do dia: Bia comendo um pão de sal de ontem no café da manhã. Aí vira e fala: 
- Papai, o pão está frio. Esquenta pra mim?
 
O pai pega o pão de sua mão para esquentá-lo na sanduicheira elétrica. A Bia, bem no estilo “Chaves” e sem falar nada, continua comendo um pão imaginário...
 
 
CUIDADORA DE CRIANÇAS
A mãe da Bia e da Cacá trabalhou de mesária nas recentes eleições. Por isso, já perto do encerramento das votações, o pai perguntou para as filhas: 
- Pessoal, vamos buscar a mamãe?
 
A Bia responde: 
- Não. Você busca.
- Não tem como eu buscar a mamãe e vocês ficarem sozinhas!
- Eu tomo conta da Cacá!
 
 
AULA DE ANATOMIA
Em uma conversa de almoço sobre ossos de galinha, o pai da Bia e da Cacá comenta:
- Se a gente não tivesse ossos, a gente seria molenga.
 
Com olhar de surpresa a Cacá pergunta:
- Então a vovó não tem ossos?


POESIA MATINAL
Uma coisa que me encanta nas crianças muito novas é sua capacidade de fazer comentários inesperados, divertidos ou poéticos. Pela manhã, bem cedo, talvez lembrando alguma história infantil ouvida recentemente, a Bia e a Cacá fingiam escrever alguma coisa na cama dos pais:
 
(Bia) O gato não sabe voltar. 
(Cacá) A lua não sabe que é história...
 
Vontade de abraçar e apertar muito essas quatro netinhas tão doces!
 

domingo, 9 de outubro de 2022

11 - PURA POESIA


As crianças ainda muito novas dizem coisas engraçadas, surpreendentes e encantadoras. Mais um pouco de tempo e elas perdem a espontaneidade e passam a utilizar o vocabulário que aprendem com os adultos. Enquanto isso não acontece, quem tem “ouvidos de ouvir” pode descobrir poesia em estado puro em uma frase ou comentário. A Cacá tem quatro anos e está em uma fase de muito carinho com os pais:
 
- Papai, fiz um cartão para você.
- Que legal, Cacá!
- A gente é super-heróis. Você tem o poder do arco-íris e eu de iluminar o sol.
 
Olhando os riscos amarelos onde seriam os pés da Cacá, o pai pergunta:
 
- Você estava voando, Cacá?
- A gente tava, mas aí pousou na "gama" (grama)
- Ah!
- Colori o cabelo de marrom porque não tinha canetinha preta. A gente tava de máscara verde!

 
“Poder de iluminar o sol”! Pura poesia!


quinta-feira, 6 de outubro de 2022

10 - SONHANDO COM TI REX

As menininhas dormem em quarto separado dos pais. Às vezes, de madrugada, uma delas acorda e chama:

 
- PAPAI!
 
O pai se levanta e vai ver o que é, encontrando a Cacá de olhos arregalados; e rola um diálogo sussurrado.
 
- Que foi, Cacá?
- Eu tive um sonho divertido com dinossauros.
- Ah, é? Que legal!
-Não foi legal, um dinossauro queria me comer!
- Então não foi um sonho divertido...
- Um “Ti Rex” queria me comer!
- Foi só um sonho, pode dormir.
- Quero fazer xixi.

BOA DE LUTA

  Relato do pai da Bia e da Cacá:   As meninas foram à natação ontem. Na hora do banho, uma mãe sem noção levou o casal de filhos para o ban...