segunda-feira, 28 de novembro de 2022

13 - TORCIDA ORGANIZADA

 Como muitos pais e tios sabem, as crianças muito pequenas são como que esponjas, pois absorvem muito do que os adultos falam. Se tiverem a sorte de ter pais civilizados e com um mínimo de cultura não demoram muito a encantar os parentes, ao fazer comentários surpreendentes, hilariantes e usar palavras inimagináveis para sua idade.

 
À medida que vão crescendo, perdem um pouco da espontaneidade e deixam de surpreender os adultos. Mas, até que essa fase chegue dizem e fazem coisas que ameaçam o bom funcionamento do coração dos avós. E esse é o motivo de me dedicar a registrar as micro-historinhas protagonizadas por minhas netas, contadas por seus pais: para que um dia elas possam ler as tchutchuquices que foram capazes de fazer ou dizer quando eram bem pequenas.
 
Com a Copa do Mundo do Qatar mobilizando toda a população brasileira (toda, não; os “patriotários” recusam-se a sair de sua própria “concentração”), a mãe da Bia e da Cacá comprou umas roupinhas de uniforme da seleção para as meninas, para que possam ir assim vestidas para a escolinha em dia de jogo do Brasil
 
As menininhas estavam deitadas na cama quando a mãe as vestiu com a blusa da seleção. Quando a Cacá levantou e se olhou no espelho, fez até uma pose com mão na cintura e disse:
 
- Nossa! Como eu tô bonitinha!
 
Por precaução, ao ouvir essas historinhas o avô já fica com um comprimido de Aradois por perto, bem à mão. Vai que precisa...

quarta-feira, 9 de novembro de 2022

12 - CUIDADORA DE CRIANÇAS

 Mais um registro de memória para ser lido no futuro.


DO TEMPO DA DELICADEZA
No recente Dias das Crianças minha mulher preparou um "presente de greguinho" para nossas netas: transformou dois cavaletes de madeira em quadro negro de um lado e apoio para telas de pintura e papeis do outro, comprou tintas guache, papéis em formato A3, giz, apagador (quase do tamanho das menininhas), telas e pinceis e... cola.

Ontem, a mãe da Lelê e da Lulu (três anos) contou a mais nova tchutchuquice das filhas: tentando colar no papel algumas figurinhas recortadas pela mãe, a Lulu fez uma poça de cola na folha. A mãe disse que assim não daria certo, pois não colaria direito. E arrancou a folha, sob protestos e choramingo da Lulu – que logo depois fez outra poça de cola na toalha da mesa. A mãe, carinhosa mas severamente disse que isso não estava certo e que não deixaria mais a Lulu usar a cola. Foi quando a Lelê saiu em defesa da irmã: 
- Mamãe, a Lulu não sabe colocar pouca cola!
 
A mãe disse então que faria pingos de cola no papel para a Lulu colar as gravuras. A reação da Lulu foi deliciosamente comovente e engraçada: 
- Mamãe, eu não sei colocar pouca cola, mas não fique brava comigo, pois eu sou muito delicada.
 
 
PÃO QUENTINHO 
A correria que o trabalho diário impõe aos pais da Bia e da Cacá (quatro anos) impede que os pães do café matinal sejam comprados pela manhã. Cena do dia: Bia comendo um pão de sal de ontem no café da manhã. Aí vira e fala: 
- Papai, o pão está frio. Esquenta pra mim?
 
O pai pega o pão de sua mão para esquentá-lo na sanduicheira elétrica. A Bia, bem no estilo “Chaves” e sem falar nada, continua comendo um pão imaginário...
 
 
CUIDADORA DE CRIANÇAS
A mãe da Bia e da Cacá trabalhou de mesária nas recentes eleições. Por isso, já perto do encerramento das votações, o pai perguntou para as filhas: 
- Pessoal, vamos buscar a mamãe?
 
A Bia responde: 
- Não. Você busca.
- Não tem como eu buscar a mamãe e vocês ficarem sozinhas!
- Eu tomo conta da Cacá!
 
 
AULA DE ANATOMIA
Em uma conversa de almoço sobre ossos de galinha, o pai da Bia e da Cacá comenta:
- Se a gente não tivesse ossos, a gente seria molenga.
 
Com olhar de surpresa a Cacá pergunta:
- Então a vovó não tem ossos?


POESIA MATINAL
Uma coisa que me encanta nas crianças muito novas é sua capacidade de fazer comentários inesperados, divertidos ou poéticos. Pela manhã, bem cedo, talvez lembrando alguma história infantil ouvida recentemente, a Bia e a Cacá fingiam escrever alguma coisa na cama dos pais:
 
(Bia) O gato não sabe voltar. 
(Cacá) A lua não sabe que é história...
 
Vontade de abraçar e apertar muito essas quatro netinhas tão doces!
 

domingo, 9 de outubro de 2022

11 - PURA POESIA


As crianças ainda muito novas dizem coisas engraçadas, surpreendentes e encantadoras. Mais um pouco de tempo e elas perdem a espontaneidade e passam a utilizar o vocabulário que aprendem com os adultos. Enquanto isso não acontece, quem tem “ouvidos de ouvir” pode descobrir poesia em estado puro em uma frase ou comentário. A Cacá tem quatro anos e está em uma fase de muito carinho com os pais:
 
- Papai, fiz um cartão para você.
- Que legal, Cacá!
- A gente é super-heróis. Você tem o poder do arco-íris e eu de iluminar o sol.
 
Olhando os riscos amarelos onde seriam os pés da Cacá, o pai pergunta:
 
- Você estava voando, Cacá?
- A gente tava, mas aí pousou na "gama" (grama)
- Ah!
- Colori o cabelo de marrom porque não tinha canetinha preta. A gente tava de máscara verde!

 
“Poder de iluminar o sol”! Pura poesia!


quinta-feira, 6 de outubro de 2022

10 - SONHANDO COM TI REX

As menininhas dormem em quarto separado dos pais. Às vezes, de madrugada, uma delas acorda e chama:

 
- PAPAI!
 
O pai se levanta e vai ver o que é, encontrando a Cacá de olhos arregalados; e rola um diálogo sussurrado.
 
- Que foi, Cacá?
- Eu tive um sonho divertido com dinossauros.
- Ah, é? Que legal!
-Não foi legal, um dinossauro queria me comer!
- Então não foi um sonho divertido...
- Um “Ti Rex” queria me comer!
- Foi só um sonho, pode dormir.
- Quero fazer xixi.

domingo, 21 de agosto de 2022

09 - PARA ESPANTAR OS MOSQUITOS

 Final de domingo, voltando para o apartamento, o pai começou a programar a rotina para quando chegassem:

 
- Chegando em casa a primeira coisa é guardar os brinquedos; depois, tomar banho, por o pijama, tomar leite e dormir.
 
Reação da Cacá:
- Humm... eu tive uma ideia. Que tal não tomar banho? Cacá quer dormir fedidinha para espantar os mosquitos...
 
(Nessa semana a mãe das menininhas explicou para a Cacá sobre aqueles repelentes de tomada, que soltam um cheirinho ruim para os mosquitos).

quarta-feira, 20 de julho de 2022

08 - EU NÃO SOU ECA!

 Ouvir um palavrão dito em voz muito alta assusta e repugna os espíritos mais sensíveis, pois a referência a práticas sexuais não canônicas e a vulgaridade que o palavreado chulo carrega são características intoleráveis para pessoas muito tímidas e gentis.

 
Mas todos sabemos que o que hoje é palavrão já fez parte do vocabulário normalmente utilizado no passado por pessoas de bem. Talvez seja essa a explicação para o surgimento e uso frequente de expressões e vocábulos capazes de fazer corar e escandalizar os mais delicados.
 
Meus impacientes amigos e amigas virtuais já devem estar se perguntando onde pretendo chegar com isso, mas já explico.
 
Segundo a mãe das “gemini niñas” de três anos a ofensa máxima imaginada pelas filhas parece ser a palavra “eca” (com ou sem exclamação). Chamar alguém de “eca” é um insulto tão grave que poderia até desencadear uma quarta guerra mundial. Mas elas têm sabedoria e jogo de cinturinha para retrucar elegantemente e fulminar o agressor com esta resposta, dita por uma delas:
 
- “Eu não sou eca, eu sou gostosa!”
 
Esse é um claro sinal de que o empoderamento feminino pode surgir até na mais tenra e tchutchuca das idades.

quinta-feira, 7 de julho de 2022

07 - A CULPA É DO PAPAI!

 Um dia os menininhos e menininhas crescem e de tantos “não” que escutam e com tantas regras e normas de boa educação que precisam aprender, acabam perdendo a espontaneidade e a graça dos primeiros anos, quando até um flato pode ser motivo de risos.

 
Pensando bem, criancinhas pequenas nunca soltam flatos, soltam puns. Creio que flato só mesmo a rainha da Inglaterra é que solta. O resto da humanidade apenas peida (inclusive o príncipe Charles). E esta é mais uma historinha das gemininiñas, tão leve como o ar, como gás, como gases. Eu disse “gases”? Pois é...
 
 
A Cacá agora cismou de colocar a culpa no pai por coisas “erradas” que ela faz, como soltar "pum". Ela solta e se alguém pergunta "quem soltou pum?" Ela já responde na lata:
- PAPAI!
 
E aí começa um coro da Bia e da Cacá
- Papai! Papai! Papai!
 
 
Um dia o pai estava lavando vasilhas e deu um peido barulhento. A Bia perguntou quem tinha feito aquele barulho e o pai respondeu:
- Foi o papai que soltou um pum.
 
Ela achou graça e começou a bater palmas, exclamando:
- Papai! Papai!
 
 
Outro dia, o pai estava trabalhando até mais tarde e as menininhas estavam sentadas com a mãe no sofá, vendo TV. Aí a Cacá solta um barulhento. E a mãe pergunta.
- Quem soltou pum?
- Veio lá de longe, onde o Papai trabalha. Foi o Papai!

BOA DE LUTA

  Relato do pai da Bia e da Cacá:   As meninas foram à natação ontem. Na hora do banho, uma mãe sem noção levou o casal de filhos para o ban...